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4º Passo - Comando 2

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No artigo anterior abordamos alguns aspectos fundamentais para o exercício do comando, o quarto dos cinco passos para o êxito de uma empresa baseados na experiência de Neemias em reedificar os muros de Jerusalém. Vamos complementar.

1º  - EXERCER LIDERANÇA

Liderar consiste em ir à frente de um projeto. No entanto, não adianta estar nesta posição sem ter incorporado a missão. É necessário ter uma visão clara e definida do projeto para que não sejamos como aqueles a quem Jesus certa vez elucidou: “cegos guiando outros cegos.” (Evangelho segundo Mateus 15:14). Mas lembre-se: ter a plena visão do projeto não basta. É preciso ter conhecimento da realidade em que ele será aplicado. Os grandes homens de sucesso são aqueles que não permanecem apenas em suas salas, mas que entram em contato com seus liderados no intento de discernir suas necessidades e a realidade que os enreda.

Antes de colocar em prática a missão de reedificar os muros, Neemias discerniu a realidade em que Jerusalém se encontrava: “Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio”. (Neemias 2:17). Entretanto, é crucial mantermos o discernimento espiritual a fim de estabelecermos nossa missão na esfera natural: “Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.” (Neemias 2:18).

Conhecer a realidade implica em discernir os inimigos que nos cercam. Oposições não são feitas por circunstâncias, mas por pessoas. Assim como Deus realiza sua obra através de pessoas, Satanás trabalha da mesma forma. Neemias soube discernir, além do opróbrio que assolava o povo e a cidade de Jerusalém, seus inimigos externos: Sambalate e Tobias: E sucedeu que, ouvindo Sambalate que edificávamos o muro, ardeu em ira, e se indignou muito; e escarneceu dos judeus. (...) E estava com ele Tobias, o amonita, e disse: Ainda que edifiquem, contudo, vindo uma raposa, derrubará facilmente o seu muro de pedra.”. (Neemias 4:1 e 3). Portanto, é necessário um discernimento apurado de nossos inimigos externos, como por exemplo a instabilidade do mercado de atuação e a concorrência. Mas principalmente dos internos, ou seja, os conflitos existentes entre os nossos colaboradores. Pois comando consiste em resolvê-los. 

Este discernimento, no entanto, deve ser acompanhado de uma estrutura emocional baseada no Espírito que te motiva. A falta de estabilidade emocional faz com que você se torne parte do problema. Neemias era convicto da missão que possuía. Por isso, apesar de conhecer as necessidades do povo e da cidade de Jerusalém, não deixou se envolver emocionalmente com elas. Lembre-se: quem tem o problema é a empresa, não você!

Se não permanecermos alicerçados nAquele que nos chamou e nos enviou, fracassaremos. É neste quesito que entra a prática da fé. Fé é diferente de empolgação. A palavra ‘fé’ no grego é ‘pistis’, expressão usada na Grécia antiga como característica dos idealistas, daqueles que vivem e morrem por suas convicções. De acordo com este conceito, fé é uma moeda de duas faces: convicção e fidelidade. Convicção consiste em ser motivado para realizar o projeto ao qual foi chamado. E fidelidade é saber que você está respaldado para ir até as últimas consequências rumo ao alcance dos objetivos previamente traçados sem fraquejar diante das dificuldades. Atributos que geram a paz que excede todo o entendimento.

Além do discernimento, devemos fazer uso da palavra profética. Neemias certa vez orou: “Lembra-te de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo.” (Neemias 5:19). A palavra profética é a verbalização e o consequente estabelecimento da realidade espiritual na esfera natural. Por isso é considerada uma ação.

Conforme diz o provérbio: “se o homem fraquejar, quão fraco ele é”. A nossa identidade determina nossa ação. Devemos nutrir a consciência de que um comandante não ocupa este ofício porque meramente deseja, mas porque foi chamado e, por isso, deve tomar posse de suas características de comando. Usemos como exemplo a armadura de Deus. No relato de Paulo aos efésios (Efésios 6:6-17), vemos que a descrição da armadura consiste em aspectos físicos, o que significa que nosso corpo deve estar preparado para recebê-la. Davi recebeu a armadura de Saul para lutar contra Golias, mas sua estrutura física não estava preparada para usá-la (I Samuel 17:38-39). A alma de um comandante deve estar preparada para receber a armadura que Deus lhe concedeu. Ou seja, suas estruturas espirituais e emocionais devem se enquadrar na farda chamada comando. Pois o comandante que tem convicção de seu chamado traz segurança para seus liderados, o que resultará no pleno êxito do projeto.

2º  -COMUNICAÇÃO
O passo seguinte é transmitir o projeto, o que implica em uma boa comunicação. É do comandante a responsabilidade de receber a missão e transmiti-la aos seus colaboradores. E mais. É dele o dever de buscar informações sobre a realidade da execução do projeto junto aos seus colaboradores e levá-las aos seus superiores. No entanto, captar e transmitir a realidade da missão são deveres que demandam diligência.

Aquele que exerce o comando deve ser fiel ao projeto. É de suma importância ter o conhecimento se o projeto está sendo aplicado exatamente como foi elaborado. Nossas ações devem estar em consonância com a missão que recebemos. Para isso é necessário conhecermos quais as ações estão sendo tomadas na execução do projeto. Algo inviável sem a exigência do ‘feedback’, ou seja, assim como o líder deve prestar relatório àquele que lhe deu a missão, deve cobrar o relatório de seus colaboradores. Assim como Neemias, o líder é apenas o mordomo, pois o proprietário do projeto é Deus: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar: e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos.” (Neemias 2:20). Por isso, precisamos colher informações de nossos liderados a fim de prestarmos contas a Ele.

Há comandantes que têm dificuldade de checar se os colaboradores estão cumprindo o projeto na íntegra. Não podemos transmitir todo o projeto para todos, mas sim o suficiente para o responsável de cada área. Pois é incoerente cobrarmos uma ação que o colaborador não conhece.

3º - TRABALHAR EM EQUIPE
A primeira atitude a ser tomada neste quesito é selecionarmos colaboradores. Na medida em que recebemos a missão e o projeto para executá-la, os divulgamos. Consequentemente surgirão pessoas que se identificam com o trabalho. Mesmo assim é necessário levantarmos colaboradores para a demanda. Contudo, só levantaremos pessoas dispostas a trabalhar quando nos concentrarmos nas habilidades que possuímos. Não teremos êxito em nosso projeto se não tivermos uma convicção precisa de nossos talentos. Neemias ajudava na reconstrução dos muros apenas para ter contato e conhecimento da realidade, mas sempre focou em sua capacidade de liderar. Saiba que seu talento é o motor do negócio, por isso deve executá-lo com afinco. Entretanto, nunca podemos perder o controle do todo o processo. Jesus tinha plena consciência e convicção de suas funções. Em nenhum momento se desviou de sua missão – discipular 12 homens e cumprir o plano da redenção - mesmo realizando milagres em meio à grande multidão que o seguia.

O segundo passo é estabelecer funções específicas. A partir do momento que você tem uma visão clara do seu talento, deve descobrir o talento de cada liderado a fim de encaixá-los em tarefas segundo suas habilidades. Vemos no capítulo 3 do livro de Neemias que ele organizou as famílias em tarefas de acordo com suas localizações e habilidades. Ou seja, vemos aqui um princípio indispensável: cada um no seu devido ligar, de acordo com o seu talento. Neemias procurava estar livre para fazer somente o que fora chamado para fazer. Reservava-se à oração e recebia de Deus as estratégias para a execução.

O terceiro passo é motivar com justiça e generosidade. Em primeiro lugar, seja justo. Seja generoso com quem merece e quando for possível. O comandante deve doar recursos para seus liderados, nunca tirá-los deles, pois é o provedor. Por isso deve sempre ter mais recursos do que seus liderados. Conforme Jesus elucida: “O trabalhador é digno de seu salário.” (Evangelho segundo Lucas 10:7). A generosidade faz com que os liderados sejam motivados. “E o que se preparava para cada dia era um boi e seis ovelhas escolhidas; também aves se me preparavam e, de dez em dez dias, muito vinho de todas as espécies; e nem por isso exigi o pão do governador, porquanto a servidão deste povo era grande”. (Neemias 5:18).

Nunca devemos nos esquecer que investir demais em uma pessoa é ruim, pois criaremos uma “cobra” que, mais cedo ou mais tarde, nos dará o bote certeiro. Todavia, não investir em colaboradores gera pessoas rancorosas. Motivação nem sempre é através do dinheiro. O que motiva uma pessoa é, além de colocá-la no lugar certo para executar a função correta, gerar um ambiente em que ela possa desenvolver seu talento.

A remuneração de um colaborador deve ser de acordo com a competência que possui e também com a exigência que lhe é demandada. Por isso, devemos sempre oferecer perspectivas para seu desenvolvimento. No entanto, não podemos cometer o erro de confundirmos águias com búfalos. Búfalos gostam de trabalhar sem serem incomodados. Realizam o trabalho pesado e são felizes por isso. Não importam com promoções ou propostas do gênero. Pelo contrário. Quando as recebem, sentem se ameaçados em deixar a “zona de conforto”. Já a águia não consegue fazer o trabalho pesado e possui uma visão elevada. Não se acomoda no lugar em que se encontra. Sempre quer voar mais alto. Entretanto, mesmo respeitando as singularidades de seus colaboradores, um comandante não deve deixar de cobrar o ‘feedback’. Quem não é cobrado acaba ficando mal acostumado.

4º – SABER LIDAR COM AS DIFICULDADES
Neste ponto é comum encontramos pessoas acometidas pela chamada ‘Crise da metade’. Esta crise se dá quando o comandante investiu grande parte de seus esforços e recursos. Contudo, embora bastante fatigado, não obteve o resultado esperado, pois, ainda está na metade do projeto. Neste trecho da jornada, é necessário guardarmos a fé, anteriormente relatada, e mantermos firme. Desistir são para fracassados, e você não é daqueles que retrocedem, mas dos que, conforme Paulo adverte: “Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. (Filipenses 3:14).

O resultado de todas estas ações foi o cumprimento do propósito de Deus através da vida de Neemias: Em cinquenta e dois dias terminaram todo o projeto (Neemias 6:15). Com a ajuda de Deus e com a participação de cada pessoa, terminaram a obra da reconstrução dos muros. Um milagre? Não! O segredo consistiu na percepção das realidades (cap. 1 e 2), coordenar o trabalho (cap. 3) e lidar com as dificuldades que, com certeza, vão surgir pelo caminho (livro todo).

* Josias Messias, 43 anos, jornalista, diretor da ProCana Brasil – empresa líder em publicações e eventos voltados ao setor sucroenergético (www.procana.com.br). Preside a Pró-Ribeirânia – Associação dos Empresários e Moradores da Av. Costábile Romano, e é membro do Conselho Deliberativo da Soberp – Sociedade Beneficente Evangélica de Ribeirão Preto.

 

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