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Os segredos de José - 1

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A noite sem pesca pode ser um grande argumento para não lançarmos as redes, mesmo sob uma palavra do Senhor. Porém, os que se entregam à sua própria história de frustrações nunca viverão a alegria de uma pesca maravilhosa...

Era José da idade de trinta anos quando se apresentou a Faraó, rei do Egito, e andou por toda a terra do Egito. - Gênesis 41:46

José é um dos modelos mais excelentes de liderança que vejo saltar da Bíblia. Em sua juventude, sofreu muito. Recebeu uma visão de Deus ainda menino, mas pagou o preço pela imaturidade e pelo mau gerenciamento de seu pai Jacó, que não soube discernir o que Deus estava falando e não soube tratar os filhos com eqüidade, fomentando a competição em sua própria família.

José foi traído e tirado à força de casa por seus irmãos. Entretanto, permaneceu firme na fé, mesmo no Egito e, finalmente, viu acontecer a “hora da virada”, quando Deus o levantou como um modelo de líder bem-sucedido. Nesse tempo de sua vida, alguns segredos foram fundamentais e é sobre eles que quero discorrer aqui.

A princípio, na sua imaturidade, esse jovem entendeu a visão de Deus como proposta de domínio sobre seus irmãos. Tagarelava seus sonhos com um espírito incorreto, dando a entender que governaria sobre os demais, sem nenhuma ênfase em servi-los e abençoá-los. Isso gerou competição, cismas e dor.

De certa forma, a igreja brasileira tem vivido essa realidade quanto à visão celular no modelo dos doze. Recebemos sonhos de Deus, uma maravilhosa visão, mas muitos de nós entendemos nela uma proposta de status e domínio, quando deveríamos entender a unção para servir e abençoar.

José, entretanto, aprendeu rápido a lição. Pouco tempo de sofrimento e vergonha no Egito despertou nele o espírito correto e ele entendeu a honra de ser o segundo. Não estranhe essa expressão. O ensino triunfalista que contaminou a alma de muitos de nós enfatizou que devemos ser os primeiros, fomentando um terrível sentido de competição entre irmãos. Mas a proposta de Deus é que aprendamos a servir em segundo plano, ou seja, liderar com excelência sem abrir mão da benção de ser liderados. No linguajar um pouco antigo, servir sob cobertura...

Já na casa de Potifar, homem do qual se tornara escravo, José manifestou esse entendimento. Serviu com tanta fidelidade que seu amo o colocou por administrador de todas as suas riquezas (Gn 39:4-6). O fruto dessa semeadura não foi colhido logo. Acusado injustamente de pecar contra a mulher de Potifar, José foi levado à prisão e ali mais uma vez mostrou que sabia liderar sendo liderado. Sua credibilidade alcançou um grau tão evidente que o carcereiro-mor o pôs por líder de tudo naquele lugar e, mesmo na condição tão incoerente de prisioneiro, ele serviu com integridade e desprendimento (Gn 39:21-23).

Quando Faraó, impressionado com seu discernimento e sabedoria, lhe ofereceu o lugar de segundo homem do governo, José já estava bem treinado nisso. Não se fez de rogado. Submeteu-se a Faraó e administrou com destreza tudo o que lhe fora confiado.

Acredito que esse é um dos maiores segredos da liderança. Embora a maioria das pessoas seja seduzida pela possibilidade de mandar, de se impor sobre outros, os líderes mais excelentes são aqueles que entendem ministério como serviço e que, conscientes de suas próprias limitações e humanidade, sem fazer disso um argumento para esconderem-se na inércia, valorizam estar sob a supervisão e cuidado de alguém. Em outra palavras, amam ser o segundo, mesmo que desempenhem suas funções com a excelência e a competência de verdadeiros campeões. Podem mandar, porque sabem e gostam de obedecer.

Um outro segredo na vida deste homem, atitude que se manifestou fundamental na “hora da virada”, foi a decisão de não permitir que o passado de frustrações governasse o seu futuro. A Bíblia nos conta que, quando veio o tempo das vacas gordas e Deus começou a honrar toda a sua semeadura de anos, José teve seu primeiro filho e o denominou Manassés, dizendo: “Deus me fez esquecer do meu sofrimento e da casa de meu pai” (Gn 41:51).

Pense comigo... Esse homem tinha muitos argumentos na alma para não crer que as coisas acabariam bem dessa vez. Tudo o que fizera até então havia se voltado contra ele mesmo. Tentou compartilhar uma visão com seus irmãos e colheu ódio, traição. Serviu com extrema fidelidade na casa de Potifar e acabou punido como vilão. Já na prisão, anos de injusto isolamento, também fez o seu melhor, cumpriu as regras e serviu a quem pôde. Ainda assim foi preterido e esquecido por aqueles que deveriam honrá-lo... Convenhamos, não era o curriculum mais adequado para um grande líder. Assumir o governo do Egito em nome de Faraó, correndo o risco de pagar com a própria vida se não fosse bem-sucedido, deve ter feito soar todos os alarmes na alma desse jovem de trinta anos à época. No entanto, José decidiu que o passado não seria determinante em seu futuro. Ao menos, não as dores do passado. Fez do nascimento de seu primeiro filho uma declaração profética e decidiu viver a vida olhando para a frente.

Não há líder que não passe por grandes frustrações. A noite sem pesca pode ser um grande argumento para não lançarmos as redes, mesmo sob uma palavra do Senhor. Porém, os que se entregam à sua própria história de frustrações nunca viverão a alegria de uma pesca maravilhosa, nunca desfrutarão da honra de verem os celeiros cheios e as multidões sendo abençoadas por seu ministério. A diferença entre os que são grandes líderes e os que poderiam ser está, não num passado limpo de lembranças desestimulantes, mas na decisão de não permitir que o passado determine o seu futuro.

 

* Leia também "Os segredos de José - 2"

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