Carregando TV, aguarde...
Fechar
Você está em: Edificação » Palavra Profética » O grande resgate

O grande resgate

A- A+

Agora vivemos felizes no seio das nossas famílias. Desfrutamos da luz eterna. Mas nunca poderemos esquecer as trevas que um dia cobriram todo o nosso horizonte. Se Ele não se importasse tanto, nunca teríamos saído de lá...

“Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. Ora, isto - ele subiu - que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?” (Efésios 4:8-9)

O mundo todo assistiu emocionado na última semana o resgate de trinta e três mineiros no Chile, após sessenta e oito dias de agonia.

O drama começou quando a única entrada do túnel em que trabalhavam foi fechada por um desmoronamento. Abrigados numa galeria a quase setecentos metros de profundidade, sem nenhum contato com o mundo exterior, sem mantimentos e sob um calor causticante por mais de duas semanas, eles estiveram bem perto do desespero e da morte.

A esperança renasceu quando uma pequena sonda enviada da superfície em busca de sinais de sobrevivência chegou à galeria onde estavam e eles puderam enviar para as equipes de resgate uma mensagem de que estavam vivos. A partir daí, uma operação altamente complexa teve início, primeiro para prover suprimentos que os mantivessem com vida e depois para abrir um canal pelo qual eles pudessem ser resgatados.

Quando, por volta da meia-noite do dia 12/10, um resgatista entrou na cápsula apertada chamada de Fênix para descer pela perfuração aberta no solo do Deserto do Atacama e fazer a viagem de quase setecentos metros em direção aos mineradores, o mundo todo perdeu o fôlego, num misto de ansiedade e alegria, à medida em que a operação avançava com impressionante sucesso.

Algumas coisas mexeram comigo, enquanto pensava no drama daqueles homens e acompanhava os trabalhos para trazê-los de volta.

Em primeiro lugar, tentei me imaginar na situação deles, enquanto estiveram por mais de duas semanas soterrados, sem nenhuma chance de sair daquela prisão tenebrosa por suas próprias forças. Como reage um coração que depende completamente da ação de outrem para sobreviver? Que nível de desespero eles sentiram ao vislumbrar a possibilidade de serem esquecidos ali para sempre?

Em segundo lugar, me impressionou o trabalho intenso das equipes de resgate, produzindo um meio improvável para tirá-los de sua agonia. Talvez isso tenha se personificado bem na figura do primeiro resgatista que entrou na cápsula para descer pelo canal aberto, ao encontro dos mineiros. Até então, ninguém podia garantir o sucesso do procedimento e aquela viagem ao centro da terra, na verdade, representava um grande risco para o voluntário que a faria. Mas ele e mais cinco que o seguiram decidiram arriscar-se pela salvação de quem os aguardava.

Finalmente, os resultados de todos estes esforços se revelando na figura de trinta e três homens voltando à vida e ao seio de suas famílias deixou imagens e emoções que ficarão em nossa memória por muito tempo.

Tudo isso me levou a refletir sobre o maior resgate de toda a História. Não o da Mina de San José, mas aquele feito por Jesus de Nazaré. Sim, porque todos nós estávamos soterrados pelo pecado, lançados em densas trevas e sem nenhuma chance de salvar-nos a nós mesmos. Se ali, no negrume da nossa iniquidade, o Senhor nos esquecesse, ali pereceríamos para sempre.

O plano para nossa salvação seria altamente complexo. Descer a lugares tão baixos e tenebrosos como aqueles nos quais estávamos confinados exigiria de Deus um planejamento e um esforço descomunal, mas Ele decidiu pagar o preço necessário. A “cápsula” que Ele usou não se chamava Fênix, embora de modo semelhante o limitasse num espaço inconcebível. Segundo a linguagem bíblica, “o Verbo se fez carne”. Deus, da sua imensidão sem fim se confinou ao espaço pequeno da vida humana, dos limites naturais, do tempo e da morte para entrar no mundo em que estávamos perdidos. Quem pode explicar tamanho amor?

Finalmente, chegou o dia da salvação. Cristo teria que descer às regiões inferiores da terra. Sua alma estava angustiada até ao ponto de suar sangue. Ele teria que enfrentar o túnel interminável do nosso juízo e acreditar que os grilhões da morte não o prenderiam para sempre ali conosco.

Ao se conformar à cruz, Jesus começou a sua viagem terrível. O que o sustentava naquela condição tão agonizante? Uma alegria que lhe estava proposta! A esperança de nos devolver à vida, à felicidade, à paz, à luz o fez prosseguir. E Ele desceu... Atravessou a barreira da morte, sentiu o vazio da solidão, da infinita distância do Pai por causa dos nossos pecados. Enfrentou o inferno. Touros de Basã o cercaram e pavores se apoderaram da sua alma, mas Ele continuou a descer apegado apenas à pálida imagem de nossas faces expectantes.

Finalmente, o Resgatador chegou aonde estávamos aprisionados! De nós depois se disse: “O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; E, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, A luz raiou” (Mt 4:16)... A vida entrou na nossa escuridão. E pelo mesmo caminho que Ele baixou, a Cruz, nós subimos e fomos libertos para sempre.

Agora vivemos felizes no seio das nossas famílias. Desfrutamos da luz eterna. Mas nunca poderemos esquecer as trevas que um dia cobriram todo o nosso horizonte. Se Ele não se importasse tanto, nunca teríamos saído de lá...

Edifique-se

Comunidade Cristã de Ribeirão Preto - Rua Japurá, 829 - Ipiranga
Ribeirão Preto SP - CEP 14055-100 - Fone: +55 16 3633-5957
comcrist@comcrist.org
Desenvolvido por Atual Interativa