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Não confunda profetizar com atirar pedras

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Muitas pessoas na igreja hoje são como Semei. Acham que podem atirar pedras contra qualquer um que julguem estar errado, inclusive líderes na casa de Deus. Cuidado!

“Prosseguiam, pois, o seu caminho, Davi e os seus homens; também Simei ia ao longo do monte, ao lado dele, caminhando e amaldiçoando, e atirava pedras e terra contra ele.”  II Samuel 16:13

Nesta semana o mundo evangélico foi sacudido por uma matéria da conceituada revista Forbes apontando alguns pastores brasileiros como “milionários da fé” e, inclusive, mensurando a suposta fortuna de cada um. Foi o suficiente para os inimigos da causa evangélica fazerem o que lhes é próprio, generalizar e colocar todo mundo que prega a palavra de Deus como “farinha do mesmo saco”.

Até aí, nenhuma surpresa. Os secularistas não precisam de fatos para denegrir a igreja. E quando têm um, não perderão a oportunidade.

O que me preocupa, para não dizer o que me causa indignação, é como reage uma boa parte dos crentes a um episódio como este.

As redes sociais são hoje uma boa radiografia da igreja. Ali muita gente fala o que quer, o que deve e o que não deve. E para um bom observador, é fácil notar que muitos vão além dos seus próprios limites e inadvertidamente ferem o corpo de Cristo.

Eu não tenho a mínima intenção de defender nenhum dos líderes acusados na reportagem. Não os conheço pessoalmente e muito menos a forma como administram suas finanças particulares e de seus ministérios. Há entre os citados gente que considero apóstata, defensora de ensinos completamente divorciados da sã doutrina. Há também quem já foi pilhado em falcatruas e condenado pela Justiça (se bem que mesmo isso não pode ser tomado como de caráter absoluto. Afinal, o homem mais santo que esta Terra já viu foi condenado à morte pela justiça viciada do mundo)... De toda forma, meu intuito aqui não é advogar a causa de ninguém em particular.

O que quero é questionar e confrontar a postura leviana de muitos crentes ao abrirem a boca para, supostamente, denunciar os pecados da igreja e de seus líderes. Acham que a liberdade de expressão, um dos pilares da democracia, é igualmente irrestrita no reino de Deus. E nisso, se enganam!

Nos tempos do rei Davi, houve um levante conduzido por seu filho rebelde, Absalão. Embora Davi fosse ungido do Senhor, esse jovem se levantou e arregimentou boa parte do povo de Israel contra ele.

A decisão do rei naquele momento, homem de Deus que era, foi não defender-se. Numa caravana chorosa, deixou Jerusalém para não provocar um guerra civil. É aí que aparece um personagem que pode muito bem figurar os crentes “bocudos” de nossos dias. Seu nome era Semei. Ele não tinha nenhuma relevância. Era um benjamita fisiológico, que dançava conforme a música, afeiçoado ao velho rei Saul, que havia sido rejeitado pelo Senhor e já não existia mais.

Simei, ao ver Davi sem defesa deixando Jerusalém, resolve arvorar-se num monte e atirar pedras e terra contra ele, além de abrir a sua boca para vomitar acusações e maldições na direção daquele ungido do Senhor... Sua semeadura leviana acabou lhe custando muito caro. Embora Davi tenha agido com misericórdia a seu respeito, tanto naquele momento quanto no dia em que voltou fortalecido para reassumir o trono, Deus não o perdoou e, anos depois, já no reinado de Salomão, ele pagou com a vida pelas pedras e palavras que lançou contra um líder levantado por Deus (conf. I Rs 2:36-46).

Muitas pessoas na igreja hoje são como Semei. Acham que podem atirar pedras contra qualquer um que julguem estar errado, inclusive líderes na casa de Deus. Abrem a sua boca indiscriminadamente, sem conhecerem os fatos e sem possuírem a autoridade para confrontar nesse nível.

Há uma grande distância entre profetizar contra o pecado e abrir irresponsavelmente a boca para condenar quem quer que seja. O profeta profetiza, em primeiro lugar quando é enviado por Deus para fazê-lo. E se não tem uma palavra específica liberada pelo Espírito, no mínimo tem o conhecimento profundo dos fatos, para contra eles abrir sua boca. Mesmo assim, só o fará se tiver sido colocado por Deus no nível de autoridade adequado para fazê-lo.

Precisamos vigiar, irmãos! Deus não deixará impune ninguém que corte o manto de um ungido seu. Não é lendo matérias de revistas, fofocas de Facebook ou ouvindo conversas de “botequim gospel” que vamos ter autoridade e subsídio para botar a boca no trombone. Até porque, profetas não têm trombone. Eles fazem soar o shofar do ministério que apenas o Espírito pode conceder.

Vamos nos guardar de tocar naquilo que só o Senhor da igreja e quem Ele autoriza pode tocar: o manto dos ungidos. Não somos do mundo. Liberdade de expressão no reino de Deus, dependendo do contexto, será tido como pura rebelião e tratado como tal. Portanto, distanciemo-nos da descrição que Pedro faz dos rebeldes que povoariam a Terra nos últimos dias: “aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas paixões e menosprezam qualquer governo. Atrevidos, arrogantes, não temem difamar autoridades superiores, ao passo que anjos, embora maiores em força e poder, não proferem contra elas juízo infamante na presença do Senhor” (II Pe 2:10-11).

Quando uma denúncia contra líderes da igreja surgir, vamos ter cautela. O conselho da palavra de Deus é: “Não aceites acusação contra presbítero, senão com duas ou três testemunhas” (I Tm 5:19). E mesmo assim, essa instrução é data a Timóteo, um homem com delegação apostólica para tratar o pecado de líderes da casa de Deus. Não é qualquer um que pode confrontar e julgar uma autoridade, por mais errada que ela possa estar.

Minha exortação não é para que se faça vistas grossas ao pecado de ninguém. É para que, em especial diante de líderes, mantenhamos o temor e digamos como DavI: “Nenhum dano lhe faças; porque quem estendeu a sua mão contra o ungido do Senhor e ficou inocente?” (I Sm 26:9).

 

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