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Aliança no corpo de Cristo

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Vamos continuar refletindo sobre as bases necessárias para sermos e formarmos discípulos indesistíveis, que não engrossem as estatísticas dos "crentes sem igreja" ou dos "ex-evangélicos", denunciadas no mais recente censo brasileiro.

Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Atos 9:5

Como escrevi no último artigo, parte desses números se deve à qualidade duvi­dosa do evangelho pre­gado na igreja brasileira, com suas propostas ilusórias de muita ben­ção e pou­co compro­misso.

Sigamos tomando o exemplo de Saulo de Tar­so, alguém que passou da improbabilidade da fé para a condição de após­tolo, discípulo indesis­tível de Cristo. Embora ele seja um exemplo muito especial, pode representar muito bem a fibra dos primeiros cristãos, dispostos a pagar qualquer preço para seguirem no Caminho.

Que bases havia naquela geração que não conseguimos encontrar com facilidade hoje? Quando olhamos para o capítulo 9 de Atos, o relato da conversão de Paulo, vemos que ele teve uma experiência pessoal com Cristo e imediatamente o reconheceu como Senhor da sua vida. Não se tratava para ele de uma nova religião, mas da descoberta do Senhor que o governaria pelo resto de sua existência. Foi nesta condição, de servo de Cristo, que Paulo se tornou um crente inde­sistível, mesmo em face da morte.

Outra fundamental re­velação que este homem recebeu ainda no inicio da sua carreira cristã foi a de que Cristo e a igreja são inseparáveis. Não dá para estar em um sem estar no outro... Aquele que o confrontou no caminho de Damasco se apresentou da seguinte forma: "Eu sou Jesus, a quem tu persegues". Ora, todos sabemos que Saulo nunca tinha se encontrado com Jesus e que, de fato, ele perseguia duramente a igreja, já tendo participado do martírio de Estevão e estando na ocasião com autorização para prender e levar cativo à Jerusalém qualquer cristão que encontrasse em seu caminho. Portanto, ao se apresentar como quem estava sendo perseguido, Jesus assume sua inseparabilidade da igreja, assim como inseparável é a cabeça do corpo, metáfora amplamente usada depois pelo próprio Paulo em seus ensinos como apóstolo, mais adiante.

Hoje em dia vivemos a incoerência do número crescente de "cristãos sem igreja", como se isso fosse possível. Grande parte dos crentes atuais freqüentam uma comunidade apenas na perspectiva de um clube religioso do qual podem desfrutar pelo tempo que lhes interessar. E se alguma coisa os desagrada, com a mesma atitude superficial com que chegam, são capazes de sair, sem ao menos sentir algum peso na consciência.

Precisamos rever os nossos conceitos. Estar ligado à igreja, de forma prática e profunda, é condição essencial para que a vida de Deus permaneça em alguém. Pode parecer forte, mas não existe vida fora do corpo de Cristo. Tente amputar um membro e mantê-lo vivo por muito tempo. Impossível!

Alguém pode argumentar que o corpo de Cristo é místico, e que o termo refere-se simplesmente à designação dada ao conjunto de todos aqueles que crêem no Senhor, em toda época e lugar. Entretanto, isso é apenas parte da verdade. Basta estudar um pouco o Novo Testamento para perceber que as relações entre os membros desse corpo devem ser bastante práticas e obedecer uma ordem funcional. Aliás, uma parcela imensa das instruções e mandamentos deixados no Novo Testamento só fazem sentido ou só podem ser praticados no contexto de uma comunidade local de cristãos. Ou seja, para admitirmos como opção aceitável o exercício de um "cristianismo sem igreja", precisaríamos jogar no lixo grande parte das Escrituras Sagradas.

É bom que se saiba que, ao me referir à igreja, não estou falando necessariamente de uma entidade jurídica ou organização oficial. Se formos à China ou à Índia, encontraremos uma igreja pujante e grande parte dela não é oficial, ou seja, não é legalmente organizada. Não têm templos e nem "CGC". Entretanto, seus membros vivem debaixo de aliança (com Cristo e entre si), submetem-se a um código de ensino e ética específico baseado na Bíblia e organizam-se debaixo de autoridade e hierarquia espiritual. Isso é igreja.

Enquanto a necessidade de permanecer ligados, de andar em unidade e submissão numa comunidade local não estiver profundamente arraigada na alma de cada um de nós e dos discípulos que formamos, continuaremos a ver o triste crescimento das estatísticas que apontam os "ex-evangélicos" e os "evangélicos sem igreja", uma aber­ração dos dias atuais que precisamos mudar.

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