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A loucura da apostasia I

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As decepções e tragédias pessoais são a grande prova na nossa fé. Ninguém viverá sem passar por angústias e, às vezes, mesmo na vida dos fiéis, elas serão avassaladoras, colocando em teste o nível de sua aliança com Deus.

“Então, sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Mas ele respondeu: Falas como qualquer doida; temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal? Jó com os seus lábios.”  Jó 2:9-10

Jó e sua mulher estavam passando por um drama tão agudo que a experiência de poucos consegue igualar. Eles haviam perdido, num curto espaço de tempo, os bens, os dez filhos e, agora, aquele chefe de família perdera completamente a saúde. Seu mundo estava de cabeça para baixo e não parecia sustentado por um Deus de amor.

Em meio à tanta dor, a esposa de Jó lhe propõe a apostasia como alternativa. “Amaldiçoa a Deus e morre”, é o seu conselho. Não vamos, aqui, julgar esta mulher. Ela estava em profundo sofrimento e, talvez, tenha reconsiderado mais adiante o que falou. Não há indícios de que Deus a tenha punido. Entretanto, sua expressão neste momento de vida revela a lógica da apostasia, que afasta muitos da presença de Deus.

Por outro lado, ainda que sofrendo intensamente, este homem de Deus classifica como “loucura” a ideia de abandoná-lo, negando sua fé. Jó não aceita a lógica da apostasia. Ele tem uma estrutura de valores que não abre brechas para a rebelião. E, muito embora, com o estender da aflição, em certos momentos ele tenha fraquejado, foram as convicções que ele manifestou neste episódio que o levaram a permanecer crente e, por fim, provar uma vitória na vida.

Naquele momento, qual a diferença da lógica de Jó para a lógica de sua mulher? Por que, para ela, rebelar-se contra Deus era justificável, enquanto para ele era insano? Que tipo de fundamento pode nos manter na fé, mesmo em meio aos maiores temporais da vida? Como podemos resistir à lógica da apostasia? Por que o abandono da fé é uma loucura?

Em primeiro lugar, porque a apostasia pressupõe que as circunstâncias decidam se Deus é digno ou não da nossa fidelidade. Ao perguntar ironicamente a Jó, no versículo 9: “Ainda conservas a tua integridade?”, sua esposa sugere que a lealdade do homem ao Senhor deva ser uma troca que se faz por uma vida sem dores.

Na lógica de Jó, porém, a fidelidade é a única resposta que o homem pode dar ao caráter santo e soberano de Deus. Não tem a ver com o que Ele faz, mas com o que Ele. Aconteça o que acontecer na terra, seu trono está firmado para sempre no céu e Ele é digno! Em Eclesiastes 12:13, temos um resumo da Bíblia: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem”. Ponto final! Nossa sujeição não pode ser um prêmio que damos a Deus por fazer a nossa vontade, mas nossa obrigação como suas criaturas, absolutamente dependentes d'Ele.

Jó também considera a proposta de sua esposa uma loucura porque ela ousa colocar Deus no status de qualquer um.  “Amaldiçoá-lo” seria tentar o absurdo de rebaixá-lo ao nível dos homens, como se pudesse ser confrontado, questionado ou condenado. Não dá para agir assim se sofrer consequências, pelo simples fato de que Ele é Deus.

Quem tem convicção da soberania, da santidade e do poder do Senhor constrói sua vida no temor e nunca ousará medir forças com Ele! Como diz Isaías 45:9 e 11: “Ai daquele que contende com o seu Criador! E não passa de um caco de barro entre outros cacos. Acaso, dirá o barro ao que lhe dá forma: Que fazes? Ou: A tua obra não tem alça... Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel, aquele que o formou: Quereis, acaso, saber as coisas futuras? Quereis dar ordens acerca de meus filhos e acerca das obras de minhas mãos?”

Além disso, Deus não era para Jó um acessório, um amuleto que pudesse ser descartado caso não estivesse “funcionando”, mas a essência da sua vida. Será sempre muito mais difícil para qualquer crente negar a Deus quando Ele é o “seu” Deus, quando a sua vida só faz sentido n'Ele, quando, sem a sua presença, tudo o que resta é um imenso vazio! Quem, de coração, diz como Paulo: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21); não consegue seguir sem o Senhor.

A apostasia é insana também porque sepulta a esperança de que o Senhor ainda agirá. A perspectiva que a mulher de Jó lhe apresenta é a de negar sua fé e esperar a morte, jogando a toalha em relação a uma ação de Deus que revertesse o sofrimento em alegria. Só desiste quem nada mais espera do Todo-Poderoso, e isso é um grande equívoco!

Embora com a alma combalida e mesmo extremamente desanimado em muitos momentos do seu terrível drama, Jó resistia a fechar a única porta de ação sobrenatural em seu favor. No capítulo 19, verso 25, por exemplo, ele busca fôlego para afirmar, ainda no fundo do poço: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”. Abrir mão dessa possibilidade era inconcebível na lógica que sustentou este sofredor.

Nós, que hoje conhecemos a história toda, sabemos que Deus mudou a sorte deste homem e lhe devolveu o que havia perdido. Mas, como terminaria Jó, se desse ouvidos à loucura da sua mulher? Isso me faz pensar que, infelizmente, muitas das pessoas que, em meio à decepção, abrem mão da fé, estão abortando o que se tornaria o tempo mais feliz de suas vidas!

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