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Até que... O outro lado do sucesso

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A quem daremos a glória? Qual será nossa postura com os que pensam diferente? Respeitaremos o espaço e a unção de cada um? Por conquistarmos mais rapidamente, agiremos como se fôssemos especiais, preferidos ou donos da verdade?

Se muitos ainda não crêem ou não entendem que a nação brasileira começou a experimentar nesses últimos anos um avivamento, pelo menos não podem contestar que estamos debaixo de um forte mover dos céus e que graças a Deus não é centralizado a um Estado ou região, nem exclusivo de uma igreja ou denominação, mas essa visitação divina está tomando o Brasil de norte a sul, de leste a oeste com a revelação e a unção da visão celular.

Contudo, estar debaixo de um impacto de Deus, ou de uma voz profética que traz transformação a um povo, não é novidade para nós, cristãos brasileiros. Senão vejamos: Há décadas atrás fomos renovados nos dons espirituais, provamos da restauração no louvor e adoração, já sabemos e vivenciamos o que é guerra espiritual, quebra de maldições atos proféticos, cura interior, e por último estamos gozando da restauração dos cinco ministérios. Todas essas revelações, como um sopro de Deus, tocaram os quatro cantos desse país, levando a igreja a níveis mais profundos.

Desta vez não é diferente. A visão celular tomou o Brasil e está invadindo o mundo. Com uma chama de conquista e paixão por vidas, essa revelação de Deus para a colheita dos últimos dias tem levantado um exército de líderes, um povo ousado e multiplicador que tem como alvo a conquista de cidades, estados e nações. Hoje não é apenas a minoria “privilegiada” e vocacionada de pastores e missionários que labutam no serviço do Reino, pela evangelização dos povos e restaurações de famílias. Há milhares e milhares de homens, mulheres, jovens, velhos e crianças que como Joel diz, estão sonhando, tendo visões e profetizando que daqui a alguns anos, o Brasil será outro, conhecido como Yaveh Shamá.

“Loucos” ou não, esse “povo celular” está crescendo, multiplicando e com um desejo implacável: ganhar vidas, consolidá-las, discípula-las e envia-las para que façam o mesmo, até que o Brasil e as nações da Terra estejam rendidos aos pés do Senhor.

O que era pouco, insignificante e passivo, começa a se tornar grande, forte e influente. Alimentado por uma visão onde todos são chamados à liderança e desafiados a coisas grandes, esse povo já está fazendo a diferença. Porém, essa mudança, crescimento e projeção significativa, ao mesmo tempo em que é necessária, maravilhosa e empolgante, é também arriscada e perigosa.

A possibilidade de multiplicação e influência é para todos. As igrejas já começaram a experimentar um crescimento sem precedentes, para não dizer sobrenatural, o que confere às suas lideranças respeito, honra, força política e poder de controle cada vez maior. Nada de errado ou perigoso se tudo isso não estivesse confiado a homens e mulheres como eu, você e Jeremias que de muito já nos preveniu: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?”.

Entretanto, por mais difícil compreensão que seja, Deus na sua soberania, amor e misericórdia, decidiu contar conosco para fazer a sua obra, mesmo conhecendo nosso coração e o risco que sofreria. Felizmente Ele nos confiou a expansão do seu Reino juntamente com sua graça, perdão e poder, sem os quais tudo estaria fadado ao fracasso. Seu propósito eterno de ter um povo forte (reis e sacerdotes) levantado sobre a terra e que toque com influência todas as nações, não mudou. Todavia, cabe a nós, e nesse contexto descritivo, a cada líder na visão celular, guardar o seu coração incorruptível, aliançado aos princípios da Palavra e totalmente quebrantado (“ pronto a ser mudado e dirigido por Deus”). Diante de quaisquer circunstâncias, títulos, riquezas, fama ou poder conquistado, a escolha de cada um é que determinará o coração e as atitudes: ou manifestará a humildade, simplicidade, altruísmo e serviço, ou produzirá a corrupção, soberba, vanglória e egoísmo.

Vale a pena ver a história passada e com temor conferir o que desde o princípio já está comprovado: Quanto maior crescimento e poder, maior a chance de queda, ainda que seja possível permanecer em pé e agradando ao Senhor.
O primeiro coração provado e reprovado foi o de Lúcifer. Em Ezequiel 28: 12 a 17, a profecia dirigida ao rei de Tiro, que nesse caso tipifica Lúcifer, descreve como foi sua queda: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; lancei-te por terra, diante dos reis te pus, para que te contemplem”.

Quem deu a Lúcifer riqueza e poder foi o próprio Senhor, porém ele não correspondeu à graça de Deus, não guardou o seu coração. Foi a primeira mancha, perda e dor na criação do Pai.
Atrás de Lúcifer segue uma lista incontável de homens e mulheres que tinham tudo (inclusive autoridade dada por Deus) para fazerem história, não com vergonha e pecado, mas como referenciais e canais divinos sobre as nações. Porém, quando se fortaleceram, obtiveram a honra e o reconhecimento dos homens, viram-se com o controle e domínio de vidas, então corromperam o coração. Deixando os princípios eternos, quebraram alianças, desprezaram profetas e autoridades, mancharam a história, frustraram a Deus e retardaram seus planos (características totalmente “luciferianas”, diria alguém).

Gostaria de destacar dessa lista alguns homens, reis em Israel, munidos de autoridade e poder, que começaram bem até que a embriagues do poder fez corromper seus corações.

Roboão, neto de Davi é um desses que deixou a Lei do Senhor e cometeu outros absurdos, porque não soube lidar com o poder. Aquilo que foi a base do seu crescimento e o “norte” para suas conquistas passou a ser ignorado e menosprezado. Com o fortalecimento do seu reino, os princípios eternos da Palavra, o que até então era prioridade, passaram a não ter mais valor ou serem negociados: a lei, a busca ao Senhor, as alianças e a voz profética, foram esquecidos ou deixados para segundo plano, prejudicando não apenas sua vida como toda nação e gerações seguintes. Veja o que diz em II Cr 12:1: “Tendo Roboão confirmado o reino, e havendo-se fortalecido, deixou a Lei do Senhor, e com ele todo Israel”.

Uzias foi outro rei que começou bem e por isso obteve o favor do Senhor, que o ajudou, fazendo-o prosperar e enriquecer. Manteve o quebrantamento até que se tornou forte, porém, não guardou o coração quando chegou a fama e o poder. Daí veio a desconsideração às autoridades, o menosprezo de ministérios e unção dado a outros, a intromissão no espaço que não lhe pertencia. Seu fim não correspondeu ao começo: Pecado, lepra, vergonha, não só para ele quanto para todo Israel. “... divulgou-se a sua fama até muito longe; porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína, e cometeu transgressões contra o Senhor, seu Deus, porque entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar do incenso” II Cr 26:15b, 16.

Poderia ainda falar de Ezequias. Amado e respaldado por Deus, achou graça aos olhos do Senhor que o curou de uma enfermidade mortal e lhe deu muitas riquezas. Sua fama correu as nações, que vinham à Jerusalém atestar toda glória do seu reino. Seu coração contudo não guardou a humildade e o reconhecimento da graça e bondade de Deus, antes foi enlaçado pelo “até que” da fama e poder, levando-o a se auto projetar e vangloriar-se na sua grandeza. Nos elogios que recebeu, não atribuiu ao Senhor a glória. Pecou, fez o povo sofrer, maculou a história e os propósitos de Deus. “Contudo quando os embaixadores dos príncipes de Babilônia lhe foram enviados para se informarem do prodígio que se dera naquela terra, Deus o desamparou para prová-lo e fazê-lo conhecer tudo o que lhe estava no coração” II Cr 32:31. “Mas não correspondeu Ezequias aos benefícios que lhe foram feitos; pois o seu coração se exaltou. Pelo que houve ira contra ele, e contra Judá e Jerusalém” II Cr 32: 25.

E a lista ainda passa por Saul, Asa, Joás, Amazias e outros que começaram bem até que... Infelizmente terminaram mal. Não souberam usar o crescimento, poder e influência que tinham para tão somente glorificar ao Senhor. Mesmo conhecendo a história e o fim daqueles que se deixaram corromper antes deles, não vigiaram o coração, não escutaram o alerta de Deus através de seus mensageiros e profetas. Em algum momento por certo, se acharam imunes à corrupção do poder e ignoraram o perigo da fama, crescimento e glória.

Vejo que até aqui as boas mãos do Senhor é quem tem fortalecido a visão celular no Brasil e feito forte e próspero esse povo corajoso. Mas, qual será o fim desse povo, líderes e igrejas que dia a dia crescem, multiplicam, enriquecem, ganham poder de influência e são procurados por gente de toda terra para ver e saber o “segredo do sucesso”? Começamos bem, porém, mais cedo ou mais tarde nosso coração será provado como foi o de Ezequias e de todos os demais, e as nossas atitudes o revelará:

A quem daremos a glória? Qual será nossa postura com as autoridades e ministérios que pensam diferente? Respeitaremos o espaço e a unção de cada um? Por conquistarmos mais rapidamente pensaremos e agiremos como se fôssemos especiais, preferidos ou donos da verdade? Será que conseguiremos manter a simplicidade da aliança com o Corpo de Cristo seja ele ou parte dele conhecido como Presbiteriana, Assembléia de Deus, Quadrangular, etc? Seremos humildes o suficientes para atribuir ao Senhor a glória da revelação que Ele mesmo nos deu? Reconheceremos que as conquistas que o Pai nos tem dado sejam elas multidões, benefícios ou riquezas, não são para fortalecer um reino, igreja ou denominação particular, mas para abençoar as nações da terra? Faremos nossos irmãos participantes das bênçãos que de graça e por graça recebemos, ou exigiremos a exclusividade e nos tornaremos donos daquilo que nos é acrescentado a cada dia? Tenderemos à independência e auto-suficiência sem ouvir a voz de alerta dos profetas e autoridades ungidas de Deus? Menosprezaremos os princípios da Palavra, fazendo pouco caso da oração e santidade? Ignoraremos que o nosso coração é semelhante aos que foram antes de nós e que se não o vigiarmos cada instante, cairemos tal qual os que assim procederam? O que eu e você vamos fazer quando nos tornarmos “fortes”, cada vez mais “fortes”?

Uma coisa é certa: Ainda que correndo riscos, Deus não vai desistir do seu propósito de fortalecer e projetar seu povo, dando a ele crescimento, poder e respaldo, para que cumpra seu papel sobre a terra. Cabe a nós hoje, fazermos a escolha de não repetirmos a história e sobre tudo que se deve guardar, guardarmos nosso coração, porque nele estão as fontes da vida (Pv 4:23), ou da morte (Mc 7:21 a 23). Que isso é possível, não precisamos duvidar. Graças a Deus há uma outra lista de homens e mulheres que começaram bem e acabaram bem. Não vacilaram, não se deixaram corromper pela fama, autoridade ou qualquer outra coisa.

Davi está nela! O maior e mais honrado de todos os reis que Israel já teve, o que realizou as maiores conquistas e não soube o que é perder uma batalha. Enriqueceu-se assombrosamente e levou sua nação ao apogeu, sendo temido por todas as nações ao derredor. Conseguiu satisfazer o coração do Pai, e fazer com que sua história não fosse enegrecida com o brilho da glória humana.

Certamente Davi não foi perfeito e a bíblia fez questão de narrar os detalhes dos seus pecados mais escandalosos. Porém, nem mesmo essas falhas foram capazes de roubar-lhe o reconhecimento exclusivo que qualquer homem ou mulher gostaria de receber de Deus: “o homem segundo o meu coração”. “Desconfio” do que lhe assegurou esse reconhecimento:

Em meio a tanta glória, honra e riquezas, o grande rei Davi não considerou o trono como possessão sua, mas como favor de Deus (II Sm 15: 25); Mesmo sendo um dos homens mais respeitado e temido, foi humilde o suficiente para ouvir Deus através de subordinados e submeter a profetas e autoridades ainda que debaixo de exortação e reprovação (II Sm 19: 5a 8; II Sm 12: 13); Em todo tempo reconhecia a graça do Senhor e não se esquecia de sua origem: “Então entrou o rei Davi na casa do Senhor, ficou perante ele, e disse: Quem sou eu, Senhor Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui” (II Sm 7: 18); Como um apaixonado por Deus o amou mais que as riquezas e o poder: “... se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração.

Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: Que o poder pertence a Deus, e a ti Senhor pertence a graça; pois a cada um retribuis segundo as suas obras” (Sl 62: 10b,11,12); e acima de tudo, apesar de suas vestes, riquezas e honras serem de rei, o seu coração manifestava todo tempo a simplicidade e humildade da essência de um pastor e adorador: “São estas as últimas palavras de Davi, filho de Jessé, palavra do homem que foi exaltado, do ungido do Deus de Jacó, do suave salmista de Israel” (II Sm 23:1).

Não poderia dar o meu ponto final, sem deixar registrado aqui o maior de todos os exemplos de alguém que foi na contramão dos que fracassaram. Ele começou bem e “acabou” melhor ainda. Não teve um “até que”, que pudesse corromper seu coração ou interromper o propósito de Deus, ainda que satanás o tivesse tentado de todas as maneiras. Ele não usou o poder, fama e riquezas para se auto-promover, se sobrepor aos demais ou menosprezar quem quer que seja. Não conquistou para si, mas repartiu tudo o que era seu com os mais pobres e miseráveis dessa terra. Trabalhou, serviu e deu o seu melhor para os que eram muito menos de que ele.

Por ele, aí vai o meu conselho e o meu clamor como um alerta de Deus a essa nova geração chamada para conquistar, crescer, multiplicar e influenciar todas as nações da terra. Aí vai a minha súplica a você, geração celular:

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou por usurpação o ser igual a Deus, antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho nos céus, na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai” (Fp 2: 5 a 11).

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