Carregando TV, aguarde...
Fechar
Você está em: Edificação » Doze Cestos Cheios » Quem sou eu?

Quem sou eu?

A- A+

Somos o resultado de nossa história, e das escolhas que fazemos. Não podemos mudar a história passada, mas nossas escolhas presentes podem determinar nosso futuro, construindo uma nova história.

“Mas pela graça de Deus sou o que sou” 1 Coríntios 15:10

Você certamente já passou pela experiência de haver tido uma reação inesperada diante de alguma circunstância, tendo respondido àquela situação de uma maneira que nem mesmo você esperava. Por que será que isso acontece? Por que tantas vezes ficamos surpresos com nós mesmos? A verdade é que somos o resultado de nossa história, e das escolhas que fazemos. Não podemos mudar a história passada, mas nossas escolhas presentes podem determinar nosso futuro, construindo uma nova história.

Das capacidades que Deus deu ao homem, umas das mais impressionantes, ainda que pouco valorizada, é a de fazer escolhas morais. O tempo todo somos submetidos a esses testes. Escolhas fazem parte da nossa vida, e a cada momento se nos oferece uma oportunidade de, finalmente, acertar. Gostaria de refletir um pouco sobre a necessidade de fazermos uma escolha fundamental, que poderá dar forma ao que viveremos de ora em diante: decidir ser aquela pessoa que Deus criou – o nosso “eu” verdadeiro.

Há pessoas que se indagam sobre sua verdadeira identidade, não conseguindo saber quem são de verdade, devido aos acréscimos que as experiências (sobretudo negativas) foram acumulando sobre o “verdadeiro eu”. Quem somos nós? Lá no íntimo, longe dos olhares das outras pessoas, quem é este ser tantas vezes escondido de tudo e de todos? Lembro-me de ter, durante a infância, adolescência e início de juventude, lidado com essas questões de minha identidade. Para que se tenha uma ideia, eu era uma pessoa em minha casa; outra, um pouco diferente, na escola; uma terceira, no trabalho; e assim por diante.

À medida em que fui crescendo em minha experiência com Deus, fui permitindo ao Espírito Santo que escrutinasse minha alma, para descobrir quem sou de fato, e o porquê de tantas máscaras sob as quais eu escondia minha verdadeira personalidade. Fui percebendo que durante muitos anos eu vinha sendo refém das expectativas das pessoas a meu respeito. Queria agradar a todos e, é claro, terminava me frustrando, em vista da impossibilidade de conseguir aquele objetivo.

Por que uma pessoa desenvolve esses mecanismos de defesa, que se tornam muros ao redor do coração? É verdade que, no meu caso, isso chegou ao limite de uma patologia, e se não houvesse sido salvo, provavelmente eu teri desenvolvido algum tipo de transtorno de personalidade. Mas, embora a maioria das pessoas não chegue a esse ponto, percebo que praticamente todos nós lidamos com essa questão de “máscaras”. Constatei que o que está no centro dessa dificuldade é a necessidade de aceitação que trazemos, e o medo de sermos rejeitados. O grande temor é: “Se eu me deixar conhecer, as pessoas não gostarão de mim”. Assim, vamos criando personagens que escondem nosso “eu autêntico”.

Qual é, então, a saída para esse padrão que nos rouba a alegria de vivermos a realidade de sermos quem somos de verdade? Na minha situação, isso começou a mudar quando fui passando por experiências que foram revelando a mim que eu era amado, e que esse amor não estava sujeito a condições humanas e circunstanciais (se eu era bonito ou não, bem sucedido, se acertava mais do que errava, etc).

Curiosamente, o grande start para isso foi uma conversa que tive com meu pastor, onde “arrisquei tudo”, contando-lhe quem eu era de fato. Lembro-me de ter iniciado aquela conversa dizendo qualquer coisa semelhante a isto: “Você conhece o Antonio que é líder, equilibrado, espiritual, inteligente... mas o verdadeiro Antonio é este...” e comecei a descrever minhas fraquezas e lutas. A fortaleza de rejeição que até aquele momento havia dominado minha mente e coração, lutou para que aquele rasgar de alma não acontecesse. Minha alma imaginava que qualquer pessoa que conhecesse minha história e falhas de caráter me rejeitaria. Para surpresa minha, fui acolhido, amado e restaurado.

Anos mais tarde, ele (meu pastor) me deu um abraço e disse: “o fato de você ser sincero a ponto de confessar pecados faz com que eu possa confiar em você, e abriu-lhe as portas para o ministério”. Pouco tempo depois, o presbitério da CCRP me fez um convite para que eu fizesse parte da equipe pastoral. Que honra! E que subversão do padrão mundano! Expor minhas fraquezas fez com que eu pudesse ser considerado digno de confiança. Desde aquele dia em que pela primeira vez tive a coragem de mostrar quem eu era, decidi trilhar um caminho de transparência e sinceridade.

Sabe o que ocorreu? Através dessa experiência de aceitação e amor, descobri que Deus não é aquele ser que simplesmente está à procura de falhas nossas, para nos castigar. Pude iniciar um relacionamento no qual uma revelação crescente do Seu amor incondicional foi trazendo restauração, e revelando a mim mesmo quem eu sou em Cristo. Não se trata de ser inconsequente e seguir em uma vida fora do propósito de Deus. Antes, é justamente viver uma vida na qual o Espírito Santo vai trabalhando e revelando a imagem de Deus em nós, que havia sido deturpada pelo pecado. Desta forma, o caminhar de santificação de um cristão deixa de ser uma questão de esforço pessoal em busca da perfeição, e passa a ser uma entrega ao agir santificador e transformador do Espírito, possibilitado pelo sacrifício de Cristo na Cruz.

Assim, vivamos a verdade expressa pelo pensador cristão Brennan Manning de que “Deus nos ama do jeito que somos, e não do jeito que deveríamos ser, pois nesta existência, nunca seremos exatamente como deveríamos ser”. Isso será um bálsamo e um alento, pois viveremos a verdade de que, se não houvesse o amor de ninguém mais, o amor de Deus seria mais do que suficiente para suprir tudo de que necessitamos. Que essa revelação norteie a sua vida, como tem norteado a minha.

 

Por autor

Edifique-se

Comunidade Cristã de Ribeirão Preto - Rua Japurá, 829 - Ipiranga
Ribeirão Preto SP - CEP 14055-100 - Fone: +55 16 3633-5957
comcrist@comcrist.org
Desenvolvido por Atual Interativa