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Não perca o Senhor

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Quando seus pais o viram, ficaram perplexos. Sua mãe lhe disse: “Filho, por que você nos fez isto? Seu pai e eu estávamos aflitos, à sua procura”. - Lucas 2:48

Há algum tempo tenho observado algo em minha vida pessoal. Em praticamente todos os aspectos percebo que hoje estou melhor do que há alguns anos. Humanamente falando, eu deveria estar me sentindo bem mais satisfeito. Entretanto, tenho constatado aquilo que chamo de “insatisfação santa” - a necessidade de buscar algo mais da parte de Deus, que me impede de me acomodar.

O versículo acima foi extraído da conhecida passagem bíblica em que Jesus adolescente, acompanhando seus pais, esteve na festa da Páscoa em Jerusalém. Na volta, José e Maria se deram conta de que Jesus não estava com eles. Tiveram de retornar a Jerusalém onde, depois de três dias, O encontraram conversando com os doutores da Lei.

O que me chama a atenção nesse episódio é o fato de que José e Maria estavam cumprindo seus deveres religiosos, teoricamente fazendo aquilo que se esperava de judeus piedosos de seu tempo. Estavam fazendo algo para Deus. Curiosamente, ao fazer algo para Deus, perderam Deus no meio do caminho!

   Evidentemente, não estou aqui falando de perda da salvação  ou de desviar-se dos caminhos do Senhor. Não! José e Maria, repito, estavam cumprindo seus deveres. Mas isso nos faz refletir sobre quais os momentos em que corremos mais seriamente o risco de “perder” o Senhor, ainda que estejamos envolvidos com as “coisas” Dele. Eu identifico alguns momentos críticos em que isso mais pode acontecer.

Uma das circunstâncias em que perdemos o “fio da meada” da vida com Deus, é quando temos boa base doutrinária, teologia correta, prática e testemunhos bons, mas perdemos o zelo e a paixão por Deus (não necessariamente pelas coisas de Deus). A isso chamo de ortodoxia fria. Em Apocalipse 2:1-5 está a descrição de uma igreja que era excelente em manter a “sã doutrina”, e expor erros e heresias. Porém, o Senhor a advertiu com palavras bastante duras por ela ter perdido o seu “primeiro amor”. Deus a chama ao arrependimento, e a voltar à prática das primeiras obras.

É interessante que essas palavras foram dirigidas à igreja de Éfeso, estabelecida por Paulo, e pastoreada por Timóteo. Uma das características daquela igreja quando nasceu, era justamente o amor (cf. Ef 1:15-16). Esfriamento é algo que acontece gradualmente, por isso, às vezes não percebemos seu processo. Como escrevi acima, continuamos a fazer as mesmas coisas, porém por uma motivação meramente religiosa.

Outra “armadilha” que nos tira do foco é o ativismo. Quem não se lembra da história de Marta e Maria, narrada em Lucas 10:38-42? As primeiras vezes que li essa passagem, pareceu-me que Jesus estava sendo injusto com Marta, pois alguém precisava cuidar dos preparativos da refeição para Jesus e Seus discípulos. Isso é verdade, mas também é verdade que a prioridade deve sempre repousar em “estar aos pés do Senhor”, como fez Maria. O “corre-corre” diário pode nos ser tirado, mas a melhor parte – o relacionamento com Deus – não.

Hoje, permito-me “viajar” e imaginar como teria terminado essa história se Marta, como Maria, houvesse escolhido a melhor parte. Talvez, em determinado momento, uma delas poderia sugerir que todos fossem à cozinha e cada um ajudasse com alguma tarefa no preparo de um lanche. Possível, não acha? Aqui vale trazer um esclarecimento: o problema não está nas atividades. Estar no Reino demanda que nos envolvamos com as atividades peculiares desse Reino. Eu, assim como você, tenho muitas coisas para fazer. O problema costuma repousar nos “ismos”: quando as atividades se tornam ativismo; a busca pela perfeição em perfeccionismo; o desejo de satisfação pessoal em egocentrismo; e assim por diante.

Uma terceira situação em que podemos “perder o Senhor” acontece quando nos permitimos ser roubados do amor compassivo que o Senhor nos disponibiliza quando estamos em comunhão com Ele. O lindo capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios traz no verso 2: “Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei”. É possível realizar grandes coisas para Deus sem que isso tenha qualquer repercussão na eternidade.

Quando perdemos o amor, até mesmo o poder pode ser diminuído. Ainda que o Senhor honre Seu nome, e milagres aconteçam quando fé é exercida, normalmente ocorre um decréscimo de manifestações sobrenaturais. O amor é um dos fatores desencadeantes dos sinais da chegada do Reino. Em muitos relatos bíblicos, diz-se que antes de operar um milagre, “Jesus foi movido de íntima compaixão”.

Meu desejo é que haja um despertar em cada um de nós para que retornemos àquilo que sempre deve ser o centro de nossa vida espiritual: comunhão com Deus. Todo o restante, incluindo as “coisas” de Deus, devem derivar da “melhor parte”. Que isso lhe venha como revelação ao seu coração!

Por autor

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