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Livres através do perdão

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Para cumprirmos a vontade de Deus, perdoar não é uma opção; é uma ordem direta da Palavra, tanto nos ensinos de Jesus, como no restante do Novo Testamento.

“Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”. Mateus 6:12

A caminhada cristã é dinâmica. O que se espera de nós é que, uma vez alcançados pela graça, nela nos movamos, “crescendo em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15). É uma grande alegria ver como as pessoas recém alcançadas trazem essa disposição, e como crescem rapidamente. Porém, algumas vezes vemos que em determinado momento, na vida de muitas pessoas, esse avanço é detido. Qual será a razão disso?

Um amigo querido certa vez observou: “Normalmente, quando alguém está crescendo rapidamente, e há uma repentina estagnação ou desânimo, na maior parte das vezes ocorreu uma decepção ou quebra de relacionamento”. Fiquei pensando a respeito, e tive que concordar com ele. É óbvio que existem outras razões, mas essa parece ser a mais comum. Além disso há um fator agravante: como o Reino é também dinâmico, quando a pessoa “simplesmente” pára, automaticamente está começando a retroceder, pois o Reino segue avançando!

Isso me fez voltar a refletir sobre a necessidade imperiosa de perdoarmos sempre. Para cumprirmos a vontade de Deus, perdoar não é uma opção; é uma ordem direta da Palavra, tanto nos ensinos de Jesus, como no restante do Novo Testamento. Ciente do poder paralisador da falta de perdão, uma das últimas atitudes de Jesus na Cruz foi perdoar seus agressores, pedindo ao Pai que não lhes imputasse aqueles terríveis pecados. Da mesma forma, Estêvão, agonizando, injustiçado e apedrejado, teve a mesma atitude. Às vezes cogito se, de maneira diversa, Estêvão tivesse retido o perdão aos seus torturadores, se Paulo teria se convertido (pois ele estava ali, consentindo naquele ato cruel).

Quando falo sobre a necessidade de perdoar, algumas pessoas me dizem: “Antonio, mas você não tem ideia do que me fizeram!”. Na maioria das vezes, realmente não sei de fatos e detalhes que envolveram a situação de conflito. Mas uma coisa sei: Deus nos manda perdoar; e se Ele nos diz para fazer algo, sempre nos capacitará a fazê-lo. Precisamos romper com a armadilha satânica que tenta nos prender nessa mentira de que nunca conseguiremos perdoar porque o que nos fizeram foi muito sério.

Entre tantas coisas que nos impedem de perdoar, quero ressaltar duas atitudes muito prejudiciais. A primeira delas é culpar. Grande parte das pessoas não perdoa porque sempre há alguém que nos feriu. Então começamos a culpar aquela pessoa pela nossa situação difícil. “Ah... ele me fez isso..., ela me fez aquilo..., foi cruel demais...”, e assim por diante. Nessas situações, alguns pensam: “somente se ele(a) reconhecer seu erro e me pedir perdão, eu libero”. Entretanto, não posso dar a você falsas esperanças. Em minha experiência, em cerca de noventa por cento das vezes, a pessoa que nos ofendeu não tem consciência disso, e não reconhecerá.

Recentemente passei por uma situação em que fui confrontado com a necessidade de perdoar. É claro que teria sido muito mais fácil se aqueles que falharam comigo houvessem reconhecido o erro e pedido perdão. Mas isso não aconteceu. Ao passar por esse conflito, percebi que se não perdoasse, o maior prejudicado seria eu mesmo. Isso mostra uma outra faceta do perdão: o maior beneficiário não é aquele que recebe o perdão (até porque este dificilmente reconhecerá seu erro), mas sim aquele que perdoa. Costumo brincar dizendo que perdoar é uma questão de inteligência. Você quer ser feliz? Então terá que perdoar – setenta vezes sete! O que seria de nós se Jesus tivesse esperado que nos tornássemos “bonzinhos” e reconhecêssemos nossas falhas? Ainda estaríamos condenados!

A outra atitude que nos impede de perdoar é desculpar. Bem mais sutil, esse mecanismo de defesa é, talvez, mais perigoso, pois se traveste de nobreza. Para tentarmos lidar com o sofrimento que a atitude da outra pessoa nos causou, começamos a buscar explicações: “Ah, coitado, ele também sofreu tanto quando era criança”..., “Ele foi rejeitado, por isso age assim comigo...”, “Ela viveu sob uma mãe dominadora, por isso me trata assim também...”, e por aí afora. Tudo isso pode, talvez, explicar uma atitude errada, mas jamais justificará o erro. Se assim fosse, Adão estaria correto por acusar a mulher, e esta estaria certa ao jogar sua culpa na serpente. O fato é que, voluntária ou involuntariamente, as pessoas erraram conosco. Mais uma vez, não lhe darei ilusões. As pessoas ainda errarão com você; e você, uma vez mais, precisará perdoar, se quiser ser livre e feliz.

Qual a atitude correta, então? Nem culpar, nem desculpar. Assumir que fui ferido, mas que eu também, sendo humano também sou falho. Falhei com outras pessoas, feri, errei... Fiz isso principalmente a Deus. Em última instância, é contra Ele que pecamos. Quando tomamos consciência disso, podemos nos perdoar mutuamente, assim como Deus nos perdoou em Cristo (Efésios 4:32) – totalmente, perfeitamente, sempre.

 

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