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Deus me ama

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A mensagem do Novo Testamento é baseada na graça e no amor, e não no medo. “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor”.

“Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores”. Romanos 5:8

 Na última semana li dois artigos cujas autorias são de renomados teólogos contemporâneos: um brasileiro, e um norte americano. Ambos têm como objetivo questionar a afirmação cada vez mais frequente de que Deus nos ama incondicionalmente. Os argumentos são semelhantes, e por serem escritores inteligentes, esses textos desafiaram meu raciocínio, e minha reflexão bíblica.

Um argumento levantado é o de que Deus ama esperando, em retorno, ser amado também – “Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19). Entendo que é verdade que Deus espera ser amado, e até que essa resposta de amor deve ser a consequência mais evidente de que uma pessoa descobriu-se amada pelo único Deus. Entretanto, esperar uma resposta de amor não significa que Deus impõe uma condição para nos amar. Ele já nos amou.

Outra objeção ao caráter incondicional do amor de Deus é o fato de que Ele espera que Seu amor naqueles que são amados, provoque uma mudança de atitude (ou conversão). Outra vez, o raciocínio está correto, mas a conclusão não. Observo o que ocorria quando minhas filhas eram recém-nascidas. Aqueles que são pais entenderão claramente esse exemplo. Obviamente eu esperava, e cria, que elas retribuiriam meu amor, mas como bebezinhos, elas ainda não podiam dar essa resposta claramente. Mas eu já as amava, e muito! Agora, estou dando um exemplo pessoal, sendo eu cheio de imperfeições e limitações... O que dizer de Deus - perfeito, imutável, onipotente e eterno?!? Nele, o amor é perfeito.

Nesse ponto, o “amor perfeito”, encontra-se minha objeção a uma ideia contida em um dos artigos que li. O escritor critica a pregação moderna sobre o amor de Deus, queixando-se de que esta elimina o caráter da justiça Dele. Eu também sou contra “baratear” a mensagem do Evangelho, que diminui a responsabilidade humana, e que gera cristãos superficiais e tolerantes com o pecado. Porém, a mensagem do Novo Testamento é baseada na graça e no amor, e não no medo. “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor” (1Jo 4:18). Aqui tudo se torna claro: quando, de verdade, estamos aperfeiçoados no amor, corresponderemos a esse amor maravilhoso não para que sejamos amados (o que seria uma condição), mas porque fomos amados.

Eu poderia seguir mostrando outros argumentos que os dois escritores apresentaram, contrapondo suas ideias; porém, não é esse meu objetivo. Meu propósito é o de mostrar que, exatamente como declaramos, oramos, cantamos, profetizamos, o amor de Deus é, sim, incondicional. Para mim, essa notícia tão antiga, e tão mal compreendida, foi o que me redimiu. Eu passei minha infância, juventude e parte da idade adulta tentando encontrar o amor das pessoas e, sobretudo, de Deus. Quando experimentei a realidade de ser tão incrivelmente amado, todo meu sistema de valores e propósitos inverteu-se. Sem querer ser excessivamente simplista, entendo que minha missão pessoal, tendo-me descoberto incrivelmente amado por Deus sem nada ter feito para isso, é viver e partilhar esse amor. Tudo o que eu fizer – vida de oração, pessoas que evangelizo, ministérios que desenvolvo, vida familiar, trabalho, etc... - tem que ser uma resposta ao amor de Deus revelado em Jesus.

Quando um ser humano ama, isso é um gesto bonito, uma virtude. Creio que esse é um traço da imagem de Deus no homem. Entretanto, em Deus, amar é muito mais que uma virtude; é uma questão de identidade: Deus é amor (1 João 4:8). Por essa razão, para amar verdadeiramente é preciso conhecer Deus. Há pessoas que argumentam: “Se Deus é amor, por que permite que as pessoas sofram?”. Concordo que a pergunta é interessante. Compreendo que Deus nos ama tanto, que por amor, deu-nos a capacidade de fazer escolhas. O sofrimento é fruto da escolha de nossos primeiros pais, e das escolhas que hoje fazemos.

Enquanto não recebemos uma revelação da incondicionalidade do amor de Deus, vivemos uma vida cristã pela metade, buscando “merecer” algo que é dado a nós gratuitamente, pois o preço já foi pago por Cristo na Cruz. Tenho encontrado um sem-número de cristãos que estão mendigando uma migalha do banquete que nos é oferecido livremente a cada dia. Imagine se você buscasse o melhor presente que poderia dar a uma pessoa amada, e essa pessoa, ao receber o presente, perguntasse: “Quanto tenho que lhe pagar?”. Seria algo ofensivo, concorda? Pois creio que é exatamente assim que o Pai entende nossas tentativas vazias de “comprar” Seu amor com nossas atitudes e propósitos nobres.

Nunca é demais lembrar que o fato de Deus nos amar incondicionalmente não significa que nossas atitudes não tenham consequências. Quando minhas filhas transgridem algum princípio que eu estabeleci, elas sabem que sofrerão as consequências. Mas elas sabem, do mesmo modo, que suas falhas jamais mudarão meu amor por elas. Usando esse paralelo, podemos estabelecer as bases de uma vida de santidade. Se eu sou tão amado, não quero ficar longe Daquele que me amou. A Palavra de Deus me diz que o pecado faz separação entre nós e Deus (Isaías 59:2). Assim, se a única coisa que me distancia de Deus é o pecado, quanto mais eu me descobrir amado por Ele, mais odiarei o pecado. Não como fruto do medo, mas porque fui amado antes que pudesse retribuir esse amor.

Isso fez muita diferença em mim. Comecei realmente a compreender que o amor de Cristo me constrange (2 Coríntios 5:14). Constrange a quê? A responder-lhe com a entrega incondicional de todo meu ser. Meu desejo é que cada pessoa que eu puder encontrar nessa caminhada terrena seja, de alguma forma, tocada por esse poder transformador do amor de Deus, revelado em Cristo Jesus.

Por autor

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